Consignação e desapego #006
Vender roupa usada: os caminhos e como o repasse varia
Brechó que consigna, brechó que compra, internet ou entre conhecidos: os caminhos para vender roupa usada e o que as fontes publicam de prazo e repasse.

Quem tem peça parada no armário tem, em geral, quatro caminhos: deixá-la num brechó que consigna, vendê-la a um brechó que compra, anunciar por conta própria na internet ou passá-la adiante entre conhecidos. Cada um troca esforço, tempo e valor de um jeito. Este guia compara os quatro com o que reportagens e pesquisas publicam de prazo e repasse, sem tabela e sem valor em reais.
Quais são os quatro caminhos?
- Brechó que consigna: a peça fica na loja, e você recebe depois que ela vende.
- Brechó que compra: a loja escolhe as peças e paga por elas; a peça passa a ser da loja.
- Internet, por conta própria: você fotografa, anuncia, responde e envia.
- Entre conhecidos: grupos de bairro, de escola ou de amigos, sem intermediário.
A lei trata os dois primeiros de jeitos diferentes: a consignação é o contrato estimatório, e a venda para a loja é compra e venda. O guia da consignação explica os artigos do Código Civil e não se repete aqui.
O que se publica sobre consignação
As três fontes abaixo são de lugares e de anos diferentes, e nenhuma fala por todos os brechós.
- São Paulo, 2022. Numa reportagem da ISTOÉ Dinheiro com uma lojista paulistana, a divisão do valor de venda entre a loja e quem fornece é descrita como variável de uma loja para outra. A mesma reportagem registra que, na consignação, a peça que não vendeu volta para o dono.
- Porto Alegre, 2023. O Jornal do Comércio conta que um brechó da capital gaúcha, vendida a peça, paga ao fornecedor uma parte do valor de venda, com uma proporção própria.
- Fortaleza, entrevistas de 2019. Um estudo de caso numa loja colaborativa parecida com um brechó, publicado em 2024, descreve uma porcentagem da venda para a loja, pagamento ao cliente em dinheiro ou em crédito para comprar lá, prestação de contas mensal e exposição de até quatro meses.
Daí não sai uma média, e este guia não tira uma. São três lojas, e cada uma tem as suas condições. A lei, como mostra o guia da consignação, deixa o valor e o prazo para as partes combinarem, e é por isso que o número de uma loja não vale para a outra.
O que se publica sobre brechó que compra
Na compra, a loja escolhe o que leva, paga por isso e passa a ser dona da peça. A ISTOÉ Dinheiro registra o outro lado da conta: a margem com estoque próprio é maior, "porém a liquidez é baixa", e o risco de não vender fica todo com o lojista. A mesma reportagem ouviu uma loja paulistana que diz comprar cerca de 20 mil peças por mês e investir em dados para escolher as que sabe que têm boa saída.
Duas outras reportagens mostram que há mais de um formato:
- Uma rede de brechós infantis, segundo a Exame (2023), compra lotes e paga em dinheiro ou em vale-compras, com o vale-compras num valor superior ao do dinheiro. É outro contexto: roupa infantil, em rede de franquias.
- O Jornal do Comércio descreve um brechó que compra de fornecedoras fixas e outro que adquire as peças só por troca.
O que as fontes consultadas não trazem é quanto um brechó paga por peça. Falam em margem e em risco, mas não em valor pago a quem vende.
O que se publica sobre vender pela internet
O que as fontes mostram, aqui, é o lado de quem tem loja. Um brechó de Porto Alegre contou ao Jornal do Comércio que as vendas pelo Instagram respondem por 60% do faturamento dele. E uma plataforma de revenda ligada a uma grande varejista, segundo o mesmo jornal, destina ao fornecedor a maior parte do valor de venda e cuida de preço, fotos e entrega.
Quando é você quem anuncia, o trabalho é todo seu: foto, medida, preço, resposta, embalagem e envio. Se o anúncio passa por uma plataforma, valem as condições dela. As fontes consultadas não trazem prazo nem custo da venda pela internet para pessoa física, e este guia não inventa um.
O que se publica sobre desapego entre conhecidos
Em 2017, o jornal O Tempo descreveu grupos de desapego em aplicativos de mensagem e em redes sociais, organizados por bairro ou por assunto, como o de mães. A reportagem diz que a confiança entre os membros dá segurança à compra, e que a entrega é uma vantagem nos grupos de bairro.
Nesse caminho não há avaliação de loja, nem prazo, nem repasse: preço, pagamento e entrega se combinam entre duas pessoas. Isso é inferência a partir da forma do caminho, porque a reportagem não trata de regras. A única reportagem datada sobre o assunto que abrimos para este guia é de 2017.
Como comparar os caminhos
Os números das fontes não formam um ranking, porque vêm de lojas, cidades e anos diferentes. O que dá para comparar são as perguntas, e elas servem para qualquer caminho:
- Quem avalia e escolhe? Um brechó olha peça por peça; na internet e entre conhecidos, quem decide é você.
- Quando eu recebo? No brechó que compra, quando a loja paga pela peça; na consignação, depois que a peça vende; na internet e entre conhecidos, quando o comprador paga.
- O que acontece com a peça que não vender? Volta para você ou segue o destino combinado. Na consignação, isso se combina antes.
- Quem faz foto, preço e atendimento? A loja, a plataforma ou você.
- Em que forma eu recebo? Em dinheiro, em crédito na loja ou nos dois.
O que este guia não afirma
- Que um caminho valha mais que outro. Cada pessoa pesa tempo, esforço e valor de um jeito.
- Que as condições publicadas valham para qualquer brechó. São de uma lojista, de um jornal e de um estudo de caso.
- Quanto um brechó que compra paga por peça: nenhuma fonte consultada publica isso.
- Prazo e custo para quem vende como pessoa física pela internet.
Antes de escolher
Qualquer caminho começa em separar o que tem condição de ir. O guia de como preparar as peças para consignar e o de como desapegar de roupas ajudam nessa etapa, e o da consignação lista o que perguntar antes de deixar as peças.
Pontos importantes
- Quem tem roupa parada tem quatro caminhos: brechó que consigna, brechó que compra, internet por conta própria e desapego entre conhecidos.
- Reportagens e estudos publicam condições diferentes de consignação, que variam de brechó para brechó, de cidade para cidade e de ano para ano.
- Num estudo de caso em Fortaleza, a prestação de contas era mensal, e a peça ficava exposta por até quatro meses, com pagamento em dinheiro ou em crédito.
- No brechó que compra, a loja paga pela peça e fica com o risco de não vender. Uma reportagem registra que a liquidez desse modelo é baixa.
- Nenhum número vale para outro brechó. Valor, prazo e destino da peça que não vender se combinam antes, e o contrato é o que vale.
Links de referência
- ISTOÉ Dinheiro, Brechós: entenda o que precisa para abrir uma loja de roupas usadas, 30/08/2022
- Jornal do Comércio, Brechó se consolida como segmento de consumo no Rio Grande do Sul, 05/02/2023
- Costa, Silva e Duarte, Consumo sustentável e teorias da prática: conectando elementos do compartilhamento de roupas, BBR, 2024
- Exame, reportagem sobre uma rede de brechós infantis, 31/07/2023
- O Tempo, "Desapego" gera renda extra e economia nas redes sociais, 19/02/2017
- Foto de capa: Thirdman, Pexels
Confira os links de referência. O blog do Brechó Oficina busca divulgar informação a partir de fontes confiáveis.
Na loja
Leia também
- Como desapegar de roupas: por onde começarPor onde começar a desapegar de roupas: o que pesquisas dizem de roupa parada no armário, um jeito de separar o que fica e o que sai, e os caminhos.
- Como preparar suas peças para consignarComo preparar roupas para consignar: separar, conferir o estado, lavar e juntar, e o que donos de brechó dizem olhar numa avaliação peça por peça.
- Como funciona a consignaçãoComo funciona a consignação de roupas no brechó: o que a lei chama de contrato estimatório, o caminho da peça e o que perguntar antes de consignar.
Índice do blog
- #011Quem compra em brechó, e por quê: o que as pesquisas mediram
- #010Brechó online ou físico: o que muda para quem compra
- #009Plus size e brechó: o que as pesquisas contam sobre a experiência de compra
- #008A história do brechó no Brasil: do século 19 a 1914
- #007Como comprar em brechó: o que olhar na peça antes de levar
- #006Vender roupa usada: os caminhos e como o repasse variaVocê está aqui
- #005O que é moda circular, e o que a economia circular tem a ver com ela
- #004Como lavar roupa de brechó e tirar o cheiro de guardado
- #003Como funciona a consignação
- #002GG equivale a que número?
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