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Consignação e desapego #023

Como desapegar de roupas: por onde começar

Por onde começar a desapegar de roupas: o que pesquisas dizem de roupa parada no armário, um jeito de separar o que fica e o que sai, e os caminhos.

Por Ju do Brechó OficinaLeitura de 5 min

Caixas de papelão com etiquetas manuscritas para manter, doar ou jogar fora, e uma cesta ao lado.
Foto: RDNE Stock project / Pexels

Por onde começar a desapegar de roupas? Pelo que você não usa mais, e não pelo que não gosta: tire do armário o que não veste e separe em três montes, o que fica, o que sai e o que ainda é dúvida. O destino do que sai, que pode ser vender, consignar ou doar, vem depois e é outra decisão.

Por que começar pelo que não é usado?

Porque é o critério que as pesquisas conseguem medir. A WRAP, uma instituição de caridade do Reino Unido que trabalha com resíduos e recursos, publicou em 2012 um relatório com uma pesquisa feita com 7.950 adultos britânicos, de 16 anos ou mais. O resumo do relatório diz que cerca de 30% das roupas do guarda-roupa médio não eram usadas havia pelo menos um ano, na maioria das vezes porque já não serviam.

Em 2022, a mesma instituição voltou ao assunto, com mais de 6 mil adultos que descreveram cerca de 45 mil peças. O adulto britânico médio tinha 118 peças, contando roupa íntima, meias e meia-calça, e 26% delas (31 peças) não eram usadas havia pelo menos um ano. Entre os motivos mais citados, três: a peça é só para ocasiões, não serve mais bem ou não é confortável, ou a pessoa gosta dela, mas ela não é prioridade. Saias (44%) e vestidos (43%) eram as peças com mais chance de estar no armário sem uso.

Ressalvas que valem para os dois números: são do Reino Unido, não do Brasil, e medem o que as pessoas declararam. As fontes consultadas para este guia não trazem uma medida brasileira de roupa parada no armário.

E o que fazem os brasileiros com a roupa que não serve?

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) ouviu mais de mil consumidores de todas as regiões, na Pesquisa Consumo Consciente de 2024. Na categoria roupas e acessórios, 66% disseram consertar ou reaproveitar as peças. Quando elas deixam de atender, 73% disseram doá-las a instituições de caridade. É comportamento declarado, e a reportagem consultada não informa o período da coleta. O número de 66% junta duas coisas, consertar e reaproveitar, e a nota não separa uma da outra. Isso sugere que muita gente dá um segundo uso à peça antes de se desfazer dela, mas é declaração, e não medição.

Para dar uma escala de fora: o Parlamento Europeu registra cerca de 12 kg de roupa descartada por pessoa por ano na União Europeia, e menos da metade das peças usadas é coletada para reúso ou reciclagem. É outro lugar e outro sistema de coleta, e a página não indica o ano de cada dado.

Um jeito de separar

Os passos abaixo são método sugerido por este guia, e não resultado de pesquisa. As perguntas vêm dos motivos que as pesquisas mediram:

  1. Usei no último ano? É a régua que a WRAP usou para chamar uma peça de parada. É régua de pesquisa, não regra.
  2. Serve hoje? Foi o motivo mais comum em 2012. Se não serve do jeito que o corpo está, a peça não é uma peça do armário de hoje.
  3. É só para uma ocasião? Foi um dos motivos de 2022. Se a ocasião existe e a peça serve, ela fica. Se a ocasião não vem, vale perguntar por quê.
  4. Está em condição de ir para outra pessoa? Peça com defeito não serve a quem vai receber. O guia de como preparar as peças para consignar tem um roteiro para conferir.

O monte da dúvida é permitido, e convém que tenha prazo: marque uma data para voltar a ele e decidir.

Outra sugestão do mesmo tipo: comece por uma gaveta ou por uma categoria, como casacos ou vestidos, e não pelo armário inteiro. As fontes não comparam métodos de arrumação, e este guia não afirma que um funcione mais que outro. O que elas mostram é o que fica parado e por quê, e é com isso que as perguntas acima trabalham.

O que este guia não afirma

Para onde vai o que sai

São três caminhos, e eles não se excluem: a peça que um brechó não aceita ainda pode ser doada ou vendida de outro jeito. Cada um tem o seu guia:

Pontos importantes

Links de referência

  1. WRAP, Valuing our clothes: the true cost of how we design, use and dispose of clothing in the UK, 2012
  2. WRAP, Nation's wardrobes hold 1.6 billion items of unworn clothes, 2022
  3. WRAP, Citizen Insights: Clothing Longevity and Circular Business Models Receptivity in the UK, 2022
  4. Consumidor Moderno, Consumidores estão mais conscientes de seus hábitos de compra, aponta CNC, 05/08/2024
  5. Parlamento Europeu, Fast fashion: EU laws for sustainable textile consumption, publicado em 2020 e atualizado em 2025
  6. Foto de capa: RDNE Stock project, Pexels

Confira os links de referência. O blog do Brechó Oficina busca divulgar informação a partir de fontes confiáveis.

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