Tamanhos, plus size e caimento #009
Plus size e brechó: o que as pesquisas contam sobre a experiência de compra
O que pesquisas brasileiras contam da compra de quem veste plus size: peça escondida, provador, atendimento, e o que se sabe sobre tamanho no brechó.

O que as pesquisas brasileiras contam da experiência de compra de quem veste plus size? Três fontes, de 2018, 2021 e 2023, descrevem coisas parecidas no varejo de moda: peça escondida num canto, provador apertado e atendimento que constrange. Nenhuma é sobre brechó, e este guia diz o que elas permitem, e o que não permitem, concluir sobre ele.
Quem foi ouvido, e o que isso permite dizer
- Revista Alcance, 2018. Pesquisadoras e um pesquisador da Universidade Federal de Santa Catarina fizeram 22 entrevistas, em janeiro de 2016, com mulheres de manequim 44 ou mais, em três cidades da região Sul e on-line.
- ReGeA, 2021. Uma graduada e um professor da PUCRS fizeram 10 entrevistas em profundidade com brasileiros plus size de 21 a 53 anos: seis mulheres e quatro homens.
- O Tempo, 26 de abril de 2023. Uma reportagem sobre o crescimento do mercado plus size no Brasil, com consumidoras, uma criadora de conteúdo e uma analista de moda do Sebrae Minas.
Os autores de 2021 incluíram homens na amostra por causa da carência de estudos que os considerem. Pesquisa qualitativa descreve experiências com profundidade, mas não diz quantas pessoas passam por cada uma. Por isso, nada abaixo é percentual da população. A definição de onde começa o plus size está no guia GG equivale a que número?; aqui, a palavra é a das fontes.
A peça escondida
Na pesquisa de 2021, os entrevistados relatam que as roupas dificilmente estão bem expostas nas lojas e que costumam ficar "escondidas". Um deles descreve uma arara pequena num canto da loja, "lá no fundo". Os autores do estudo de 2018 registram o mesmo desenho: o tamanho ampliado fica numa arara afastada, geralmente com uma placa.
A reportagem do O Tempo diz, com a voz do jornal, que muitas empresas deixam as peças plus size escondidas no fundo da loja ou em outro andar.
O provador
As entrevistadas de 2018 descrevem provadores pequenos, abafados, mal iluminados e com espelhos que não favorecem. A reportagem de 2023 repete o quadro: descreve os provadores como muitas vezes apertados e desconfortáveis.
O atendimento
No estudo de 2018, a interação com a equipe aparece como fator crítico. Uma entrevistada relata ser encarada por pessoas "fazendo cara feia porque não vestimos 38". Na pesquisa de 2021, alguns entrevistados dizem que os vendedores mostram pouca vontade e não apresentam as opções disponíveis. Uma criadora de conteúdo de Belo Horizonte, na reportagem do O Tempo, relata vendedores que querem fazer a peça GG servir a qualquer custo, e descreve esses episódios como traumáticos.
Uma entrevistada de 2018 descreveu a compra em loja de departamento como mais livre porque ali ela prova sozinha, sem ninguém comentando. É uma fala, não um achado geral, e este guia não tira dela uma regra.
O que as peças pedem do corpo
O estudo de 2018 registra, na experiência com o produto, queixas de caimento ruim e de modelagem duvidosa. Vale lembrar o que o guia GG equivale a que número? mostra, com as fontes: cada corpo tem uma forma e, por isso, um caimento diferente, e o mesmo tamanho na etiqueta veste de jeitos diferentes.
Quando os autores do estudo de 2018 somam essas frustrações, o que aparece é o impacto na autoestima. A pesquisa de 2021 chega a uma conclusão parecida: aponta insatisfação com a dificuldade de achar roupas, o preço, a falta de identificação e o efeito na autoestima.
E no brechó?
Os três textos acima não falam de brechó. Para brechó, a pesquisa que encontramos é outra: um levantamento online de 2025, de pesquisadoras ligadas ao IFMG, com 389 respostas de 17 unidades da federação, 68,89% de Minas Gerais e 17,22% de São Paulo. Entre as mulheres de 25 a 44 anos que compram em brechó, 39,55% disseram que a maior dificuldade são os limites de tamanho ou a pouca variedade de peças; 17,91% apontaram preços mais altos que o esperado e 9,70%, o estado de conservação. Entre os homens da mesma faixa, 33,33% citaram o tamanho ou a pouca variedade.
Duas ressalvas. É um levantamento exploratório, feito online, e as próprias autoras registram que esse formato pode limitar o recorte do público. E ele não investiga por que o tamanho pesa.
Uma inferência, e só isso: no brechó, cada peça é única, como contou o primeiro guia, e os tamanhos que há na arara são os que chegaram. É provável que isso explique parte do número, mas a pesquisa não mostra.
No Brechó Oficina
A arara vai do P ao GGG, no Alvinópolis - Atibaia/SP. A página de tamanhos tem o resumo.
O que este guia não afirma
- Que a experiência descrita seja a de todas as pessoas plus size. São entrevistas, e a pesquisa de 2018 é sobre mulheres.
- Que a dificuldade com tamanho seja menor ou maior no brechó que no varejo. Nenhuma fonte compara as duas.
- Onde começa o plus size. As fontes não concordam, e o guia do GG mostra as duas.
Pontos importantes
- Duas pesquisas (2018 e 2021) e uma reportagem (2023) descrevem a compra de quem veste plus size: peça escondida, provador apertado e atendimento que constrange.
- São 22 entrevistas com mulheres (2018) e 10 com seis mulheres e quatro homens (2021). Descrevem experiências, mas não medem quantas pessoas vivem cada uma.
- Nenhuma das três fontes trata de brechó. Elas falam do varejo de moda em geral.
- Numa pesquisa online sobre brechó, 39,55% das mulheres de 25 a 44 anos apontaram o limite de tamanhos ou a pouca variedade como a maior dificuldade.
- Cada corpo tem uma forma e, por isso, um caimento diferente: o mesmo tamanho na etiqueta veste de jeitos diferentes.
Links de referência
- Scussel, Camatini, Rezende e Petroll, Muito além das curvas: a experiência de consumo das mulheres brasileiras plus size no varejo de moda, Revista Alcance, 2018
- Duarte e Conceição, Plus size existe? Uma análise da experiência de consumo de indivíduos desconsiderados pelo mercado de moda, ReGeA, 2021
- O Tempo, reportagem sobre o mercado plus size no Brasil, 26/04/2023
- Macedo Menezes e outras, Compra em brechó: motivações e desafios para o consumo de moda circular, IFMG, 2025
- Foto de capa: Ron Lach, Pexels
Confira os links de referência. O blog do Brechó Oficina busca divulgar informação a partir de fontes confiáveis.
Na loja
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Índice do blog
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- #012Vintage, retrô ou só usada: como reconhecer uma peça vintage
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- #008A história do brechó no Brasil: do século 19 a 1914
- #007Como comprar em brechó: o que olhar na peça antes de levar
- #006Vender roupa usada: os caminhos e como o repasse varia
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Onde é
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Alvinópolis - Atibaia/SP
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